quinta-feira, 20 de julho de 2017

Linkin Park e a Cura




Eu me lembro bem dos meus 13 anos. Não foi uma época nada fácil. Eu era uma criança que acabava de passar da 4ª série para a 5ª série, então tudo era novo para mim. Sempre fui uma criança quieta e que não entendia nada sobre minha personalidade. As meninas da minha sala começaram a implicar comigo e eu nem sabia o porquê. Eu tinha medo de ir para escola. Eu chorava e ficava pensando o dia todo no medo que eu sentia de encarar aquelas meninas. Eu estava sempre em confusão com alguém, mas eu nunca falei nada ou fiz alguma coisa de fato para estar dentro de confusões.

Foi então que desenvolvi a síndrome do pânico. Na época minha mãe nem pensou em me levar ao psicólogo e ela nem mesmo sabia como me ajudar. Foi o dia em que ouvi uma voz sussurrando em meu ouvido depois de ter um pesadelo com anjos. Eu lembro até o dia. Era 13 de agosto de 2006.


Eu levantei sentindo medo daquele pesadelo e fui me arrumar para ir para a escola. Aquilo me assustou de uma maneira horrível e então eu nunca mais senti paz em minha vida durante os próximos 6 meses.

Eu sentia minha cabeça me enlouquecendo, eu chorava quando minha mãe saia de perto de mim e não saia na rua sozinha. Minha mãe me levava à escola todos os dias e a escola ficava ao lado da minha casa. Eu via olhos me observando em todos os lugares escuros. Eu ficava me balançando quando chegava à noite, pois eu odiava. Eu sabia que não ia consegur dormir. Eu tinha medo de dormir e acordava sempre no meio da madrugada. Eu achava que via espíritos. Eu achava que tinha algum me perseguindo. Mas hoje depois de fazer terapia, vi o que a ansiedade e a síndrome do pânico podem fazer com sua cabeça.

Mas o que tudo isso tem a ver com Linkin Park? Eu vou te contar sobre a cura.

Lá por janeiro de 2007 eu conheci músicas. Eu conheci o Linkin Park. Eu ainda sentia medo e acordava durante as noites.

No rádio tocava “Numb” e “From the Inside”. Na época, eu não tinha acesso à internet, mas a cada dia que passava me interessava mais por quem cantava aquela música. Esperava o cara da rádio falar quem era o artista que cantava. Era o Linkin Park.

E assim eu descobri pôsteres, eu via MTV, eu conheci a letra de “Numb”. Eu não entendia nada, mas a letra tinha tudo a ver com o momento que eu passei, juntamente de “From the Inside”. E assim, fui conhecendo as letras e a banda, conheci “Crawling” que hoje vejo que é um retrato de tudo que passei, juntamente de tantas outras letras deles. “These wounds they will not heal, fear is how I fall, confusing what is real.” E realmente, nos meus momentos de pânico, eu estava confundindo o que era real e eu sentia que aquilo nunca passaria. “There’s something inside me that pulls beaneth the surface, consuming, confusing. This lack of self control I fear is never ending, controlling, I can’t seem to find myself again, my walls are closing in.”

E então eu conheci essa banda. “Distracting, reacting”.

E foi me distraindo com eles que consegui reagir a esse medo e voltar a ser uma adolescente “normal”. Foi a partir deles que arranjei uma das minhas melhores amigas, que é minha melhor amiga até hoje, 11 anos depois.

E hoje o Chester Bennington morreu por suicídio. O Vocalista do Linkin Park. E isto me trouxe essas memórias. É muito difícil escrever sobre isso, é difícil voltar a essa época que foi a pior da minha vida. Mas... como será que ele estava se sentindo? Será que ele também achava que nunca mais teria paz na vida como eu estava me sentindo aos 13 anos? Talvez o que ele estava sentindo fosse em uma escala muito maior do que eu sentia e ele não conseguiu aguentar.



Quando eu me senti assim, com medo, sem paz, eu tive eles para me resgatarem. Mas e Chester? Será que teria alguém que pudesse fazer o mesmo que eles fizeram por mim?

Eu nunca pensei que uma morte poderia me afetar tanto. Chester era aquele tipo de cara que talvez você não visse ou tivesse notícias todos os dias, mas sabia que ele estaria sempre ali. Ele se tornou um amigo distante, um apoio distante, mas talvez um dos mais fortes que já tive.

Hoje é um dia difícil, um dia em que ainda não consigo acreditar no que está acontecendo. Gostaria de que alguém viesse e desmentisse e esperei até o último momento... O dia ficou esquisito e eu fiquei abalada demais até para conseguir dormir. 

Nunca terei a oportunidade de dizer a ele ou a banda essas coisas, mas gostaria que soubessem que mesmo ele acabando com a própria vida, ele mesmo, o Chester, pode ter salvado muitas delas apenas com sua música e sua voz. Obrigada Chester, obrigada Linkin Park.


quinta-feira, 30 de março de 2017

Superando o pavor de falar em público.

Quem tem ansiedade e é introvertido sabe muito bem como é passar por uma apresentação em que você tem que falar para muita gente. Tem pessoas que fogem desse tipo de compromisso, outras passam mal e tem as que tentam mesmo não se sentindo nada bem no momento.

Eu sofro e sempre sofri demais com esse tipo de trabalho. Os lugares que mais passei por essa situação foi na escola e agora tem sido na faculdade.

Eu simplesmente me dei conta de que falar em público nunca vai ser algo que eu goste de fazer ou que me sinta bem fazendo, então o quanto eu puder evitar  passar por esse tipo de situação, eu evitarei, mas sem dúvida em algum momento eu terei que me arriscar e me expor por necessidade, como vêm sendo com a faculdade.

Em algumas apresentações do ano passado eu realmente me senti muito mal e achei que poderia até vomitar no meio de alguma dessas exposições. Meu coração acelerava, eu sentia  falta de ar e tremia muito. Logo, esses sintomas influenciavam no que eu gostaria falar e eu acabava por esquecer completamente o assunto que eu ia apresentar.

Não acredite em tudo que você pensa



Como segurança eu levo sempre um papel com todo o assunto escrito e todas as vezes que levei, eu li. Isso nunca foi exatamente o tipo de apresentação que eu gostaria de fazer, acho muito massante uma pessoa ficar lendo na frente de todos, mas eu não tinha outra escolha; ou eu lia ou eu me perdia no assunto e isso com certeza iria tornar as coisas piores para mim.

Todo ano é a mesma história, eu sempre ficarei nervosa e isso é um fato que devo aceitar. Todos que ficam nervosos com esse tipo de situação devem aceitar isso. Está nervoso? Sim. O que eu posso fazer? Aceitar que fico nervoso.

Ok, isso não parece resolver muita coisa e realmente não resolve nada. E tentar fazer um mantra na hora pensando: "Eu estou nervoso e daí?", também não é uma grande solução.

Talvez esse tipo de pensamento até piore seu nervosismo e ansiedade, mas é uma das chaves para você não se desesperar na hora de falar em público.

Em algumas conversas com meu terapeuta eu consegui refletir sobre o que me dava tanto medo e além do mais, eu também não fiquei parada esperando um milagre acontecer.

Uma das dicas mais importantes: Converse com as pessoas que vão assistir sua apresentação; pessoas que estão na sua sala. Isso foi algo que tentei e que realmente me deixou mais tranquila. Algumas pessoas da minha turma também se sentiam mal em apresentações e teve algumas que até faltaram aula por ficarem apavorados com isso. E nas apresentações dessas pessoas, elas nunca pareceram nervosas de fato. Saber que outras pessoas passam pelos mesmos problemas que você e até sentem uma carga maior sobre isso pode ser tranquilizante. Conversar com as pessoas sobre trabalhos, sobre como você está se sentindo em relação a isso pode ser muito proveitoso e muito incentivador.

Lembre-se sempre: Não estamos sozinhos. Não somos os únicos.


Outra dica: Respire! Isso mesmo, respire! Eu costumava não acreditar nesse método, pois sempre que eu tentava respirar parecia que eu ficava mais nervosa. É um tanto difícil mudar o foco do nervosismo e da ansiedade, mas force! Uma coisa que aprendi hoje com uma apresentação que fiz foi isso: Não foque nos sintomas da ansiedade. E eu estava passando mal toda vez por causa disso. Eu focava no meu coração acelerado ou no meu estômago embrulhado ou ainda na sensação de enjoo que eu sentia e isso só piorava. Então mude a direção do seu pensamento. Force. Vai ser difícil, mas force.



Usando esses dois métodos hoje eu consegui ter uma das melhores apresentações da minha vida. Eu não foquei minha atenção nas pessoas ou nos meus sintomas, mas sim apenas na respiração ou em pontos fixos na sala onde não havia ninguém.

Mas pra isso é preciso ser forte e persistente. E eu sei que todos que tem esse problema são! Eu confio em vocês! Sempre digo e repito: Não vamos deixar esse monstro tomar conta das nossas vidas! Nós é que temos que ter controle sobre nossas vidas, necessidades e escolhas!  

E lógico pessoal, procurem estudar o assunto e se inteirar do que vocês querem falar. Treinem e façam suas preparações necessárias para o contato com o público.

Pode ser que a apresentação não saia totalmente perfeita, mas ninguém merece ficar passando mal ou desistindo de coisas importantes por conta de um medo tão irracional assim. Afinal, sempre lembre-se também: ninguém realmente está preocupado com você ou com o que você fala lá na frente.

É isso pessoal e bola pra frente! Força para todos!







sábado, 11 de março de 2017

O que fazer para domar a Ansiedade?



" Se eu não puder fazer coisas grandiosas, posso fazer pequenas coisas de forma grandiosa." Martin Luther King:



Bom pessoal, hoje quero falar um pouquinho do que tenho feito nesses dias para me livrar da ansiedade. 

Talvez o termo "se livrar" não seja um termo tão certo assim, pois aonde nós formos ela vai estar junto. Só precisamos domá-la e não deixá-la que nos controle. 

Eu passei por uma fase extremamente difícil nas semanas anteriores em que basicamente me achava um lixo, via problemas em tudo e até mesmo em sair de casa para buscar pão. Tudo tinha um obstáculo e eu me sentia estagnada. E nesse mesmo instante mil críticas caíram sobre a minha cabeça. Eu quase pirei. Pensei realmente em largar tudo!

Porém, depois de tantas críticas, tantas pessoas me falando o que fazer, julgando minha personalidade e me colocando para baixo, eu simplesmente cansei. 

Em um dia eu me levantei, querendo largar tudo, tomei um banho quase chorando, sentindo uma dor insuportável e sai na rua. Fui trabalhar. E sim, foi horrível. Doeu. Eu até levei um tombo na rua e morri de vergonha. Naquele momento pensei que tudo ia dar errado. E deu até aquele momento. Mas eu me levantei do chão, limpei os joelhos e fingi que nada tinha acontecido. Afinal, eu nem iria mais ver aquelas pessoas e com certeza elas não se lembrariam de mim se me vissem de volta.  

Aquele dia eu trabalhei. Aquele dia eu tava morrendo de ansiedade quando fui para a faculdade. Eu fiquei introspectiva e nem falei com meus amigos direito. Eu só queria que tudo mudasse. Mas não muda assim de uma hora para outra. Você tem que encarar, sair na rua contra a sua vontade, ir passando mal para faculdade, afinal quando você sente os sintomas de uma crise NÃO ACONTECE NADA NUNCA. E esses são um dos meus mantras quando tenho uma crise: NUNCA ACONTECEU NADA E NÃO É AGORA QUE VAI ACONTECER. FIQUE AQUI ATÉ O FIM.

E eu fiquei. E eu fui para casa. E eu encarei as pessoas que eu não queria encarar. E eu odiei cada minuto do caminho para minha casa. Foi chato? Foi demais! Mas passou. 

Nos outros dias eu me obriguei cada vez mais a fazer minhas tarefas. Eu tinha que vencer. E foi assim que uma carga de energia me atingiu. Eu saia na rua, eu pegava ônibus, eu fazia tudo o que eu tinha de fazer! Eu nem me preocupei com ninguém, porque ninguém sabe da minha batalha diária. 

E de tanto sair, pegar caminhos diferentes e encarar a luz do dia, eu venci. Eu me obriguei a fazer cada tarefa que eu tinha adiado fazer quando eu estava com medo. Eu aprendi que posso, que sou forte e mais importante, aprendi a domar a fera ansiedade.

Vai doer? Vai. Você vai querer chorar? Vai. Mas chore, sinta a dor. Só que saia de casa, Faça suas obrigações. Tropece na rua, mas levante. DANEM-SE OS OUTROS. Dane-se essa merda de ansiedade que só atrapalha. 

Dome ela. Eu tenho certeza que se você se obrigar a fazer as coisas e colocar a ansiedade nos fundos, ela vai ficar com medo de você e vai te obedecer. 

VENÇA! SOMOS FORTES! TEMOS CORAGEM!

NÃO VAI ACONTECER NADA, POIS ESTAMOS VIVOS!

sábado, 4 de março de 2017

Lute contra o monstro!




Hoje o post vai ser um pouco diferente. Fiquei muito animada, pois já tive retornos das pessoas que sofrem com isso e esse era meu objetivo. Continuo querendo saber como é a realidade da ansiedade, da introversão, do pânico em vocês, leitores. Porque além de falar sobre como é minha luta diária contra esses comportamentos, quero também ajudar vocês de alguma forma e quero que vocês vejam o lado bom da vida. Quero que se aceitem da forma como vocês são, sem esperar ou se preocupar com o que os outros vão pensar.

Afinal, quem é que sofre com essas doenças e comportamentos? São eles? Eles não sabem de uma vírgula do que passamos. Eles não sabem como é perder o controle. Eles não sabem como é você achar que vai morrer. Não sabem como é você querer sair de casa e não conseguir.  Como é faltar no trabalho, ficar desmotivado consigo mesmo por se achar um fraco. E como é horrível as pessoas de fora acharem que somos esquisitos e cheios de frescura. E lembrando, isso não é frescura!! É uma doença!

Primeiramente, eu gostaria de compartilhar com vocês uma das únicas listas que achei realmente útil sobre como evitar que a ansiedade arruíne sua vida. Eu, particularmente, odeio aquelas listas que falam para simplesmente treinar a respiração. Quando estou tendo uma crise de ansiedade fora da minha casa ou de um lugar em que eu me sinta confortável, eu simplesmente não consigo controlar minha respiração. Pelo contrário, minha mente fica mais perturbada ainda e eu acabo mais nervosa do que já estava.


Eu espero que de alguma maneira ajude vocês a controlar um pouco e saber conviver com ela. 

Outra coisa que gostaria de abordar é sobre como somos fortes. Pensa um pouco naquela sua primeira crise de ansiedade que apareceu e você pensou que estava morrendo. Pensa nas outras crises mil vezes piores e pense nas vezes que você não conseguiu sair de casa com medo de enfrentar as coisas do dia a dia. E estamos aqui, não estamos? Respirando, vivendo, sentindo. E por que diabos não podemos tornar as coisas felizes na nossa vida? Você tem certeza que vai deixar a ansiedade tomar conta da sua rotina e te limitar tanto a ponto de você não querer mais viver?

Muitas vezes eu também preferiria não viver do que ter ataques de ansiedade indo para a faculdade dentro do ônibus. Mas olha em volta, olha para você! Independente de tudo de ruim que pode acontecer na sua vida, você está em pé, você está respirando. Então vamos fazer alguma coisa com isso. Somos mais fortes do que essa ansiedade, do que esse pânico em viver. Vamos usar esse resto de força e ir a luta!

Então, por favor, eu peço: Não se deixe tomar conta. Seja maior, seja invencível e eu sei que todos somos. Todos temos uma força interior e podemos desenterrá-la e fazê-la lutar contra esse monstro. 

MINHA ANSIEDADE NÃO ME DEFINE!

É difícil? Muito! E por várias razões. As vezes não temos uma família que nos apoie. Não temos pessoas em volta que nos entendam e muitas vezes não temos amigos. Mas temos nós mesmos e nossa felicidade só depende de nós e não de qualquer outra pessoa. Ninguém sofre no nosso lugar, ninguém sabe como as coisas estão na nossa cabeça além de nós. Então tá na hora de ir com medo, de pesquisar na internet, de falar com algum profissional da saúde mental.

Eu encontrei meu terapeuta em uma faculdade pública da minha cidade e fui atendida de graça nas primeiras semanas. Procurem na região de vocês faculdades que tenham o curso de Psicologia e vejam se eles fazem atendimento a comunidade. Faço terapia há quase dois anos e consegui com ele um valor que eu posso pagar, pois acho que ele deve ter notado minha vontade de melhorar e então me ajudou a prosseguir o tratamento. 

Caso não consigam, vão a um posto de saúde perto de sua casa. O problema é que as vezes demora muito para conseguir atendimento pelo estado. 

Ou simplesmente se tiverem condições, paguem por um. 

Pessoal, eu não seria nada hoje se não tivesse frequentado uma terapia e claro, se não tivesse saído de minha zona de conforto! Tive vontade de saber o que estava acontecendo comigo e entender tudo sobre minha mente que andava tão confusa sobre todos meus sintomas.

Não desistam! A vida é maravilhosa então vamos fazer valer a pena e vamos atrás de melhoras! E eu espero do fundo do meu coração que todos que sofrem com isso, vençam!



Me conte como está sendo sua rotina com terapia ou se procurou ajuda. O que pensa sobre isso? 




quarta-feira, 1 de março de 2017

Eu tenho um monstro nas minhas costas.



Descobrir por um diagnóstico que se tem ansiedade foi uma das coisas mais tristes que me aconteceu durante a vida. Eu não sabia direito como lidar, eu não tinha controle sobre ela e muitas vezes pensei que nunca mais teria paz em meus dias.

A ansiedade se fez presente em minha vida desde pequena. Eu não sabia o que estava acontecendo e na época não se falava muito em transtornos como esse. Achava que sempre estava passando mal, sentia enjoo e algo prendendo minha garganta. Meu coração acelerava a ponto de eu achar estar sofrendo um ataque cardíaco. Porém, eu SEMPRE PENSEI que estava só passando mal.

Tive esses sintomas sempre quando criança, em sala de aula e por vezes em algum lugar que eu estava indo. Com o tempo isso só se agravou. Comecei a passar mal no ônibus indo ao trabalho. Eu achava que sempre era algo do meu estômago ou que eu tinha comido algo estragado. 

Então um dia um amigo meu disse que poderia ser síndrome do pânico e eu pesquisei por isso na internet e os sintomas batiam com tudo que eu estava sentindo. Alguns deles eram:

Taquicardia;
Falta de ar;
Boca seca;
Sensação de tontura ou desmaio;
Tremedeira;
Medos irracionais;
Medo de morrer/ passar mal na frente dos outros;
Medo de perder o controle;
Sensação de que vai enlouquecer. 

Quem tem ansiedade e vive com ela diariamente sabe que é algo que não se pode perder tão facilmente. Você tem que conviver com ela e pronto. Eu optei por não fazer o uso de remédios até o momento, pois eles podem causar dependência. A ansiedade é como se fosse uma diabetes. A crise de ansiedade aparece as vezes frente a alguma situação de muito stress ou medo e então vem os sintomas físicos que eu listei ali a cima. 

Mas conviver com a ansiedade em geral é tão difícil quanto ter esses sintomas físicos em ambientes que você não espera e situações que não tenham um perigo eminente.

Tem vezes que a vida parece tão difícil que é horrível ter de levantar da cama. Qualquer situação do dia a dia te deixa tão estressado e você se pega mau humorado. Quando você conta para alguém todos os seus "problemas", as pessoas até falam que você os aumenta. Pode até ser, mas é a ansiedade que faz com que um pequeno obstáculo se torne um gigante em seu caminho. 

Em algumas semanas atrás eu fiquei tão pressionada quanto a problemas de família somado a mais responsabilidades do dia a dia, que eu simplesmente travei. Eu não consegui sair de casa nem para ir no mercadinho da esquina. Não trabalhei durante três dias. E evitei atender ligações de quem quer que fosse por medo de algo que eu não sabia o que era. 

Logo após se isolar totalmente a sensação de você ser fraco e inútil vem junto, É como se tudo fosse culpa sua e que você simplesmente é mais um vagabundo no mundo. Você se esforça para levantar, para ler, para fazer algo já que está com o tempo livre, mas não consegue se concentrar em nada além da culpa que te segue durante esses dias de extrema paralisação. 

Quem não passa por isso não entende. Julga. Acha difícil compreender. Mas quem sofre disso sabe exatamente o quão ruim é. O quanto você deseja ser apenas uma pessoa normal que consegue fazer tarefas banais do dia a dia. Pois veja, meu trabalho nem é tão difícil assim. Não é nada monstruoso pegar um ônibus e ir para casa. Mas sair na rua se torna um problema. É como se você saísse e todas as pessoas soubessem que você é fraco, que você sente vergonha e que está introspectivo. Você pode até sair, mas sua carga de energia já está esgotada. Então você só piora. Você só quer que tudo acabe logo.

E pode ser fatal.

Nem todas as vezes podemos faltar serviço ou deixar de fazer as coisas que precisamos fazer por nossas vidas. Eu simplesmente não posso largar mão de tudo e ficar presa em casa com medo de sair. 

E diariamente tenho passado por isso. 

Então um conselho que eu digo a vocês é: Tentem explicar a pessoas que vocês amam tudo o que sentem. Façam-os sentir o que vocês sentem por meio de palavras. Conscientizem-os. E mais importante. Procurem ajuda médica. Isso é sério. 

Temos que ser felizes e saber controlar o que as vezes no controla. Temos que colocas as rédeas nesse monstro invisível chamado ansiedade.

Contem aqui como se sentem com a ansiedade e o que fazem para melhorá-la. 

O Carnaval dos Introvertidos


Acabamos de sair do feriado de carnaval e ele me trouxe algumas ideias. Uma das mais importantes foi criar esse blog e falar sobre a personalidade introvertida e ansiosa dentro de alguns temas do cotidiano.
Eu penso (posso estar enganada) que todo introvertido não gosta muito do carnaval. Da festa em si. Pessoas saindo pelas ruas, multidões, música alta... É algo que apenas não combina com a personalidade dos introvertidos e isso nunca quis dizer que somos críticos em potencial do carnaval. Eu como introvertida posso dizer que o carnaval é legal sim! Temos dias de folgas em que podemos nos recarregar e ficar com nós mesmos. Mas festas? Nem pensar.
Por que falar sobre a introversão e o carnaval?
O carnaval parece uma festa que não foi feita para pessoas mais introspectivas, tímidas ou introvertidas. É uma festa que não bate com o jeito de ser dos introvertidos. Na verdade, eu acho que nenhuma festa bate. Eu particularmente tenho um pouco de receio de ir à festas.
As pessoas felizes demais (não estou falando pejorativamente) não entendem o porquê de alguns não gostarem da festa de carnaval. Acabam por nos julgar como rabugentos ou por não ter respeito pela cultura aqui do Brasil. Vejam, não estou falando isso de forma generalizada, mas o que costumo viver nos meus dias é isso.
Se eu digo: "Não gosto de carnaval" é como se eu fosse alguém triste, rabugento e mau humorado. Gente, apenas parem com isso. Parem de pensar que temos que gostar de tudo que de alguma forma é feliz. Parem de pensar que não respeitamos a cultura brasileira por não gostar. Simplesmente não me identifico com a festa. Não me identifico com multidões e falatórios, isso me desgasta. Não me identifico com o samba e não sou obrigada a ouvir por apenas ser de meu país. Eu o respeito, sei como ele modificou vidas. Sei sua importância. Mas repito, não me identifico. Não faz parte do meu gosto pessoal. E não, eu não sou rabugenta. Eu sei me divertir a meu modo.
Na minha cidade, Curitiba, há uma forma de carnaval bem diferente. Não posso dizer que aqui há um carnaval como nos outros estados, porque não. Começou a virar tradição aqui na cidade a ZOMBIE WALK, onde todos se vestem de zumbis, monstros em geral e saem em uma caminhada na rua. Eu comecei a prestar atenção mais nesse evento quando vi como as pessoas se divertem e saem felizes dessa forma. A quantidade de crianças que participa dessa caminhada é incrível! E para mim, pessoalmente, tem virado uma vertente do carnaval, ora, as pessoas não são iguais e tem gostos diferentes. Por que carnaval tem que ser só samba? Não pode virar uma festa simplesmente para ser feliz? Cada pessoa tem sua forma de ser feliz e eu posso me sentir realizada e contente em me vestir de zumbi e sair pelas ruas dançando outro tipo de música. Só por que estou no Brasil quer dizer que não posso gostar de zumbis, vampiros e bruxas por que isso não é culturalmente daqui? Cada um é feliz da forma que se identifica, fazendo o que gosta. Eu não entendo o porquê das pessoas reclamarem tanto porque você é diferente. Porque não gosta do que é popular. Deixa as pessoas. Só deixa.
Eu não gosto de multidão e evitei esse ano ir para essa caminhada. Até pensei em ir, mas não fui. Por que? Primeiro o fato de eu realmente precisar recarregar minhas energias para encarar o mundo depois desse feriado prolongado. Segundo porque tenho receio de sair vestida de zumbi pelas ruas, apesar de ser uma vontade que tenho. Terceiro, a multidão.
Como passei o carnaval? Lendo, vendo séries e escrevendo. Me diverti? Nunca fiquei tão feliz nesses dias fazendo algo que gosto. Evitei contato com multidões, com pessoas e contato social. Só falei com pessoas que gosto e que gostam de mim. E isso é tão libertador para um introvertido. É tão maravilhoso saber que pode-se ficar sozinho um tempo com você mesmo.
E as pessoas que raramente (ou quase nunca) entendem nosso comportamento e não admitem que o carnaval possa tomar outras formas acham sempre uma forma de criticar outras vertentes:  Se você não gosta do carnaval você é um chato. Se você não faz festas você é azedo. Por favor, eu posso ter meu gosto pessoal. Não devemos fazer tudo só porque cria-se uma ideia de que tem que se fazer. Eu posso fazer meu carnaval, eu posso tornar essa tradição tão bacana quanto já é. Eu posso trazer o carnaval para meu mundo introvertido e ser feliz assim. Porque o que vale não é eu aceitar a opinião dos outros e gostar do que os outros gostam porque eles dizem que é legal. O que vale é todos serem felizes da sua forma. Seja sambando na avenida, se vestindo de zumbi ou lendo livros em casa.
Gostaria de saber sobre o carnaval de vocês que são mais quietos e introvertidos. Deixe seu relato!